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Em 1º de novembro de 1755, Lisboa foi devastada por terremoto seguido de tsunami e incêndios.
Na manhã de 1º de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, Lisboa foi cenário de uma das maiores tragédias da história. Um terremoto seguido por tsunami e incêndios deixou milhares de mortos e igrejas destruídas no extremamente devoto Reino de Portugal, ironia que impactou o pensamento da época. A devastação da cidade, antes de traçado medieval, também possibilitou o nascimento do desenho atual das ruas da capital portuguesa.
O epicentro do terremoto foi a sudoeste da região do Algarve, a cerca de 300 quilômetros de Lisboa. Sua força foi tão grande – entre 8,7 e 9 graus, segundo estimativas atuais dos geólogos – que provocou um tsunami que afetou todo o Oceano Atlântico, do Oeste da Europa à América do Norte, e o Caribe e a costa do Brasil. Por fim, a ação de saqueadores e o fogo de velas acesas em meio aos destroços causaram múltiplos incêndios que duraram cinco dias e colaboraram para a destruição da quase totalidade da capital portuguesa.
Como há dados imprecisos sobre a população portuguesa antes de 1755, a estimativa do número de mortos varia de 10 mil a 100 mil. Cidades como Cascais, Setúbal e Peniche tiveram cerca de 1.500 mortes, e acredita-se que o tremor tenha causado vítimas também na Espanha e no Marrocos. Além de ter destruído ou danificado 23 mil construções, o tremor arruinou 87% das igrejas e 86% dos conventos e monastérios de Lisboa.
Antes de 1755, Lisboa lembrava uma cidade medieval, com ruas estreitas, desalinhadas e desorganizadas. Como o terremoto destruiu praticamente todo o centro de Lisboa, o governo português viu isso como uma oportunidade para redesenhar a cidade e transformá-la em uma metrópole moderna, menos vulnerável a terremotos, indica o economista e escritor português Álvaro Santos Pereira, que elaborou o estudo na Universidade de York, Reino Unido.
Entre 1755 e 1838, cerca de 340 documentos sobre a reconstrução de Lisboa foram emitidos. As ruas da cidade se tornaram mais amplas e alinhadas, enquanto o governo incentivou a padronização de materiais e das fachadas dos prédios.
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