SAÚDE
Dor e rigidez no joelho ao levantar? Pode ser desgaste; saiba como tratar
Desgaste da cartilagem é uma das principais causas de limitação de movimento com avanço da idade, mas tratamento precoce ajuda a preservar a qualidade de vida
Dor ao se levantar, rigidez após ficar sentado por muito tempo ou desconforto após caminhadas cada vez mais curtas: esses sinais podem indicar artrose, condição hoje chamada de osteoartrite. Trata-se de uma doença degenerativa caracterizada pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações, associada a um processo inflamatório crônico na articulação do joelho. O fato é que, uma vez iniciado o processo de desgaste, ele precisa ser acompanhado de perto para ser controlado.
A osteoartrite é uma das principais causas de dor e limitação funcional em adultos e idosos, mas pode surgir mais cedo em pessoas com histórico de sobrecarga articular, lesões e cirurgias prévias, excesso de peso ou alterações no alinhamento dos membros inferiores. O problema não surge de forma abrupta: evolui aos poucos, com sintomas que tendem a se intensificar ao longo do tempo se não houver acompanhamento adequado.
A boa notícia é que mudanças no estilo de vida, como manter o peso adequado, fortalecer a musculatura e tratar lesões precocemente, podem atrasar significativamente a progressão da osteoartrite.
O que acontece dentro do joelho
Na osteoartrite, a cartilagem que recobre os ossos vai se afinando e deixando os ossos desprotegidos, com perda da capacidade de amortecer impactos e de permitir o deslizamento suave da articulação. Com o desgaste, surgem dor, inflamação, rigidez e limitação do movimento. Em fases mais avançadas, as deformidades angulares ficam mais evidentes. Há perda significativa de função e impacto direto na autonomia do paciente.
A doença apresenta diferentes estágios, que vão desde alterações iniciais, muitas vezes controláveis com medidas simples, até quadros avançados que exigem intervenções cirúrgicas. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental. No estágio inicial, orientação e conduta adequadas podem retardar a progressão e preservar a função do joelho.
Tratamento começa com medidas conservadoras
Nos estágios iniciais da osteoartrite, o tratamento é prioritariamente não operatório e se apoia em um tripé fundamental: fisioterapia, fortalecimento muscular e controle do peso corporal. A fisioterapia ajuda a melhorar a mobilidade, ganhar tônus, reduzir a dor e corrigir padrões de movimento que sobrecarregam a articulação. O fortalecimento muscular, especialmente da musculatura da coxa, contribui para maior estabilidade do joelho e para a diminuição do impacto sobre a cartilagem. Já o controle do peso reduz significativamente a carga exercida sobre a articulação a cada passo.
Essas medidas são consideradas essenciais e, quando bem conduzidas, podem controlar os sintomas por longos períodos, retardando a necessidade de procedimentos mais invasivos. Em muitos casos, o paciente consegue manter uma vida ativa e funcional com acompanhamento regular.
Quando a cirurgia se torna necessária
Em situações mais avançadas, quando a dor passa a limitar atividades básicas do dia a dia e as medidas conservadoras deixam de ser suficientes, as infiltrações de ácido hialurônico ganham espaço pela melhora temporária que podem proporcionar. Entretanto, o tratamento cirúrgico pode ser indicado. Dependendo do caso, procedimentos como a artroscopia, hoje cada vez menos frequentes, podem ser considerados. Em quadros mais graves, a prótese total de joelho pode ser necessária para restaurar a função e aliviar a dor, com o objetivo de devolver a qualidade de vida.
A decisão pelo tratamento cirúrgico é sempre individualizada e leva em conta o estágio da doença, a idade, o nível de atividade e os objetivos do paciente. O acompanhamento com um especialista em joelho é essencial para definir o melhor momento e a estratégia mais adequada.
Com diagnóstico precoce, tratamento bem indicado e seguimento médico adequado, é possível controlar a artrose, reduzir a dor e manter qualidade de vida. Procurar ajuda antes que a dor limite a rotina é o passo mais importante para continuar ativo e preservar a saúde das articulações ao longo dos anos.
Dra. Camila Cohen Kaleka – CRM/SP 127.292 RQE 57.765
Ortopedista
Mestrado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Doutorado no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein
Membro da Brazil Health
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