POLICIAL
Acidente com ônibus de romeiros deixa 15 mortos no Sertão de Alagoas
O veículo não era habilitado, não tinha certificado de segurança e seguro de responsabilidade civil vigentes. Além disso, não havia a licença de viagem para deslocamento realizado
O ônibus envolvido no acidente que deixou ao menos 16 mortos em São José da Tapera, no sertão de Alagoas, fazia transporte clandestino de passageiros, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A bordo, cerca de 60 fiéis retornavam de Juazeiro do Norte (CE) para Coité do Nóia (AL), após participarem da Romaria de Nossa Senhora das Candeias, em uma região conhecida pela estátua gigante do Padre Cícero.
De acordo com a perícia, o ônibus saiu da pista ao fazer uma curva, caiu em uma ribanceira com mais de cinco metros de altura e tombou às margens da via. O acidente aconteceu na rodovia AL-220, em um trecho conhecido como “Curva do S”.
“O ônibus, de placa JJB-3D75, não possui habilitação na ANTT. Não possui Certificado de Segurança Veicular (CSV) ou seguro de responsabilidade civil vigente. Além disso, não havia Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado”, diz a nota oficial.
Em contato com a produção da TV Band, o prefeito de Coité do Nóia, Bueno Higino Filho, afirmou que o ônibus foi locado pelo município por meio de licitação, que previa o serviço de 17 veículos para o transporte de ida e volta de cerca de 800 romeiros ao Ceará.
No entanto, o gestor contesta a informação divulgada pela ANTT de que o veículo operava de forma clandestina e afirma que os ônibus foram contratados pelo município seguindo a legislação.
“Essa viagem custa para o município cerca de R$ 250 mil a R$ 260 mil. Todo o processo precisa ser licitado, obrigatoriamente, com todas as documentações apresentadas. Ocorreu tudo certo, dentro dos conformes legais. Os ônibus eram novos e executivos, com ar-condicionado, televisão e banheiro”, afirmou o prefeito.
Nas redes sociais, a empresa Preto Tur, operadora do ônibus envolvido na ocorrência, lamentou o acidente.
“A Preto Tur manifesta seu profundo pesar pelo grave acidente ocorrido envolvendo um de nossos veículos. Nos solidarizamos com as famílias enlutadas, com os feridos e com todos os afetados por essa tragédia”, diz a nota.
A empresa informou que está prestando apoio às vítimas e colaborando com as autoridades.
Quinze vítimas morreram ainda no local do acidente e tiveram os corpos removidos pelo Instituto Médico Legal (IML). Durante a tarde, foi confirmado o óbito de um menino de quatro anos. Ele entrada na UPA de Santana do Ipanema, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Com isso, subiu para 16 o número total de óbitos.
Entre as vítimas, estão sete mulheres, cinco homens e quatro crianças. Ao todo, 20 pacientes deram entrada na rede estadual de saúde. Dois já receberam alta.
Durante a tarde, foram analisadas pela perícia as marcas na pista e na ribanceira. O tacógrafo foi recolhido para análise e os investigadores realizaram exames no sistema de freios e medições para verificação de velocidade. De acordo com a Polícia Civil, não foram identificados sinais de frenagem antes da saída da pista.
Em nota, a ANTT afirmou que acompanha o caso junto aos órgãos competentes e que segue com ações de fiscalização para coibir o transporte clandestino no país.
O governador de Alagoas, Paulo Dantas, decretou luto oficial de três dias no estado e disse que acompanha o trabalho das equipes envolvidas na operação.
As causas do acidente serão investigadas pela Polícia Civil.
Saiba quem são as vítimas
Nove vítimas já foram identificadas oficialmente pela equipe de papiloscopistas do Instituto de Identificação de Alagoas. São elas:
* Maria Manuella de Souza Oliveira, 5 anos, estudante, residente no Povoado Alagoainjas em Coite do Nóia;
* Cleusa Simão Lima, 63 anos, aposentada, residente no Povoado Mucamba em Coité do Nóia;
* Cícero Barbosa de Lima, 71 anos, aposentado, residente no centro de Coité do Nóia;
* Josefa Madalena de Alcantara, 67 anos, aposentada, residente em Igaci;
* Maria do Socorro Santos, aposentada, 73 anos, residente no Sítio Pereira Velho em Coité de Nóia;
* Vandete Maria da Silva, 60 anos, agricultura, residente no Sítio Vassouras em Coité do Nóia
Veja a nota completa da ANTT:
“A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informa que o veículo envolvido no acidente ocorrido nesta terça-feira (3), em São José da Tapera (AL), realizava transporte clandestino de passageiros.
O ônibus, de placa JJB3D75, não possui habilitação na ANTT. Não possui certificado de Segurança Veicular (CSV) ou seguro de responsabilidade civil vigente. Além disso, não havia Licença de Viagem (LV) referente ao deslocamento realizado.
A ANTT acompanha o caso junto aos órgãos competentes e segue com as ações de fiscalização para coibir o transporte clandestino no país.”
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