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COMPORTAMENTAL

Antes de cobrar das crianças, são os pais que precisam sair dos seus celulares primeiro.

Uso desenfreado dos aparelhos pode interferir no vínculo emocional, autoestima, desenvolvimento e segurança dos pequenos

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Hoje em dia, uma das cenas mais comuns em parquinhos, restaurantes e salas de espera são pais mergulhados em seus celulares e crianças tentando chamar a atenção deles.

É uma epidemia: amigos que saem para jantar e não conversam, namorados que se encontram e ficam imersos nas redes sociais, famílias inteiras vivendo mundos paralelos no mesmo ambiente.

Viramos reféns da internet, da felicidade portátil e estamos deixando de lado o que é real.

Eu mesma já me peguei diversas vezes mexendo no celular e sendo interrompida por um “mamãe, olha pra mim”. Sabe-se lá quantas coisas eu perdi até esse momento.

De acordo com a neuropsicóloga infantil Cristina Mendes Gigliotti Borsari, coordenadora do Setor de Psicologia do Sabará Hospital Infantil, o comportamento dos pais de excesso do uso de telas ou celulares impacta de forma significativa no desenvolvimento de seus filhos.

“O desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança acontece principalmente por meio das interações reais, presenciais e responsivas com os adultos que permeiam as conexões de cuidado, proteção e educação. É nesse “vai e vem” de olhares, expressões faciais, gestos, afetos e palavras que o cérebro da criança se organiza. Quando o adulto está frequentemente distraído pelo celular, podem ocorrer consequências”, explica Cristina.

Mas não adianta nada a gente propor ou cobrar aquilo que não fazemos. Crianças se espelham. Então te dou cinco razões para você deixar o celular de lado e ser exemplo sempre que puder:

  • Conexão emocional: Crianças precisam de contato visual e resposta imediata. Quando os pais estão no celular, a criança sente que não é prioridade;
  • Desenvolvimento cognitivo: As interações reais (conversas, brincadeiras, expressões faciais) estimulam: linguagem, empatia, autorregulação emocional e habilidades sociais;
  • Vínculo afetivo e autoestima: A presença verdadeira dos pais fortalece o apego seguro, essencial para autoestima e confiança futura;
  • Formação da linguagem: Estudos mostram que a qualidade do diálogo — não apenas a quantidade de palavras — é fundamental. Quando o adulto está distraído, há menos trocas verbais, menos ampliação do vocabulário e menos validação das tentativas comunicativas da criança;
  • Segurança e atenção: No parquinho, rua ou dentro de casa, a distração digital aumenta riscos de acidentes.
  • Mas como dar o primeiro passo?

    Não quero ser “Poliana” e dizer para largarmos nossos celulares e estarmos 100% presentes o tempo todo. A vida se impõe, tem trabalho, tem mensagens importantes, inclusive, para ajudar no cuidado deles.

    Mas, se você é mãe ou pai, avó, avô, cuidador, te convido a fazer reflexão: você realmente precisa ficar olhando o celular todo o tempo que você gasta atualmente?

    Tenho certeza de que a resposta é não.

    Mudança comportamental já!

    Ainda segundo a neuropsicóloga infantil, a palavra é mudança. É preciso que os pais se atentem a esse comportamento do uso excessivo de celulares e queiram mudar.

    Aliás, mudanças simples na rotina já trazem um impacto imediato e criam espaços de prazer além das telas. Vamos juntos?

    • Crie “zonas livres de celular”: Momentos como refeições, horário do banho, brincadeiras interativas e lúdicas, e principalmente na hora de dormir podem ser protegidos como tempos de conexão, sem uso de aparelhos celulares;
    • Pratique presença intencional: Não se trata de passar o dia inteiro em interação ativa, mas de oferecer momentos de qualidade: olhar nos olhos, responder com atenção, demonstrar interesse genuíno pela rotina e experiências do filho;
    • Regule seu próprio uso: “Estou usando o celular por necessidade ou por hábito?” A autorregulação do adulto é modelo direto para a criança;
    • Validar e reparar: Se perceber que esteve distraído, é possível reparar: “Desculpa, eu estava no celular. Agora quero ouvir você.” Vamos conversar sem o celular? Reparações fortalecem vínculos e carregam consigo grande aprendizado.

Ingrid Alfaya / R7

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