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ECONOMIA

Nordeste em transformação: como o comércio online redesenha eletroeletrônicos e móveis na região

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Fortaleza / Salvador — Nos últimos três anos o Nordeste deixou de ser apenas um mercado de consumo “em crescimento” para se tornar um dos protagonistas do comércio eletrônico brasileiro. O canal digital consolidou participação relevante no faturamento nacional e vem pressionando a configuração do varejo físico na região — com efeitos particularmente visíveis nos segmentos de eletroeletrônicos e móveis.

Crescimento digital com sotaque regional

Levantamentos nacionais mostram que o e-commerce brasileiro manteve ritmo forte em 2024, com crescimento próximo a 19% no valor transacionado e GMV da ordem de R$350–R$360 bilhões, acompanhado de aumento no número de compradores ativos. Dentro desse movimento, o Nordeste firmou-se como a segunda região com maior participação em vendas online, superando a Região Sul em alguns levantamentos e apresentando ticket médio elevado em certos períodos. Isso ajuda a explicar por que players nacionais e marketplaces passaram a reforçar operações logísticas e campanhas específicas para estados nordestinos.

Eletroeletrônicos: recuperação e digitalização das vendas

O setor de eletroeletrônicos registrou recuperação robusta em 2024: dados federais e associações indicaram alta significativa nas vendas ao varejo — movimento puxado por reposição, queda de preços de alguns eletrônicos e financiamento/parcelamento — e com forte presença do canal online na escolha do consumidor. A indústria informou vendas ao varejo acima de 100 milhões de aparelhos em 2024, com aumento expressivo frente a 2023; parte importante desse crescimento foi concentrada em vendas digitais e em redes que integraram e-commerce e lojas físicas. No Nordeste, a demanda por linhas brancas (geladeira, fogão, ar-condicionado) e TVs cresceu em mercados urbanos como Salvador, Fortaleza e Recife, enquanto a interiorização das entregas aumentou pedidos vindos de cidades de porte médio.

Móveis: indústria regional e varejo híbrido

O setor de móveis no Nordeste mantém uma base industrial relevante: estados como Bahia e Ceará concentram grande parte das fábricas e marcam presença em feiras de mobiliário e canais B2B. Ao mesmo tempo, o varejo de móveis tem passado por um processo de omnichannelização — catálogos online, showroom reduzido e ênfase em logística de entrega e montagem. Reportagens e estudos setoriais apontam que a região abriga a maioria das pequenas indústrias móveis do Norte/Nordeste e que houve aumento das vendas digitais de móveis, especialmente de itens de maior ticket médio, adaptando-se a modelos de showroom + entrega rápida.

Onde a loja física ainda resiste — e como se transforma

Apesar da pressão do online, as lojas físicas no Nordeste não desaparecem: elas se transformam. O que se observa é:

  • fechamento seletivo de pontos pouco rentáveis em centros tradicionais;
  • conversão de lojas em showrooms (experiência e prova) e em centros de retirada/serviço (BOPIS — buy online, pick up in store);
  • redes que reduzem área de exposição e alocam espaço para logística urbana e montagem.
    Jornais locais registraram tanto aberturas quanto fechamentos em 2024–2025, demonstrando uma reconfiguração do parque varejista mais do que um colapso absoluto.

Prognóstico (2025–2028)

  • E-commerce: a tendência é de continuidade do avanço, com participação online do varejo crescendo alguns pontos percentuais até 2028. No Nordeste espera-se maior descentralização das vendas (PMEs ganhando espaço) e crescimento do mobile commerce.
  • Eletroeletrônicos: previsível manutenção de demanda por reposição e por eletrificação residencial (ar-condicionado, linhas brancas). A competição online e promoções sazonais continuarão a ditar volumes e margens.
  • Móveis: crescimento moderado mas sustentado, com transformação do varejo físico em apoio logístico/experiencial — espera-se que vendas online de móveis ganhem participação lenta porém constante, especialmente para móveis prontos e modulares.

Riscos e incertezas

As projeções dependem de fatores macroeconômicos (renda média regional, inflação, custo de frete), e de políticas públicas que influenciam crédito e tributação do comércio eletrônico. Problemas de infraestrutura logística em áreas interiores do Nordeste ainda podem frear a interiorização mais rápida do e-commerce para produtos volumosos, como móveis.


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