No último debate entre os presidenciáveis antes das eleições, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) responderam perguntas entre si e também a indagações feitas por eleitores indecisos, selecionados pelo Ibope, e que participaram do debate da TV Globo.
Temas dos debates anteriores foram novamente explorados, como controle da inflação, programas e investimentos nas áreas de saúde, educação e seguridade social, além de combate à corrupção e reforma política e previdenciária.
Como aconteceu nos encontros anteriores entre os candidatos, os presidenciáveis voltaram a cometer deslizes e incorreções nos dados e afirmações que fizeram. Veja, abaixo, algumas delas.
DILMA ROUSSEFF (PT): “Quem deixou o país com uma inflação maior do que recebeu foi o governo tucano, do Fernando Henrique Cardoso”
AÉCIO NEVES (PSDB): “A TransNordestina, candidata, orçada em R$ 4 bilhões, já gastou mais de R$ 8 bilhões”
O projeto e execução da TransNordestina, ferrovia que deverá ligar quatro Estados (Piauí,Paraíba, Pernambuco e Ceará) as portos de Fortaleza e do Recife, não era orçada em R$ 4 bilhões nem consumiu, até agora, mais de R$ 8 bilhões. Quando o projeto foi lançado, em maio de 2006, de acordo com informações do Ministério da Integração fornecidas à época, o investimento total previsto era de R$ 4,5 bilhões, e não R$ 4 bilhões.
Atualmente, o custo total repactuado da obra é estimado em R$ 7,5 bilhões, dos quais 47% haviam sido executados até maio deste ano. Ou seja, o gasto com a Nordestina até agora é de cerca de R$ 3,5 bilhões, e não mais de R$ 8 bilhões.
DILMA ROUSSEFF (PT): “Vocês foram contra o Prouni, entraram até na Justiça contra a lei que criou o Prouni, dizendo que ela era inconstitucional”
A presidente e candidata a reeleição falava a respeito das três adins (ações diretas de inconstitucionalidade) que foram interpostas no STF (Supremo Tribunal Federal) em 2005, quando foi aprovada a lei que deu origem ao Prouni (11.906/2005).
Na verdade, tais ações, que foram todas derrubadas no STF, foram propostas pelo então PFL (Partido da Frente Liberal, atual DEM) e pela Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino), não por Aécio Neves ou por seu partido. À época, o PFL era um partido da oposição, assim como era o PSDB, e as duas siglas, como fazem até hoje, costumavam se aliar em votações e processos eleitorais.
AÉCIO NEVES (PSDB): “O principal acusado do mensalão mineiro é o coordenador da sua campanha em Minas Gerais, o seu Walfrido Mares Guia”
Na realidade, de acordo com relatório da Procuradoria-Geral da República, Eduardo Azeredo (PSDB), que foi governador de Minas Gerais de 1995 a 1998,
é principal réu no caso mensalão mineiro. Segundo investigação da PGR, houve desvio de verbas e arrecadação ilegal de recursos para a campanha eleitoral do PSDB em Minas em 1998, em que Azeredo acabou perdendo a reeleição para o ex-presidente Itamar Franco.
DILMA ROUSSEFF (PT): “[Durante o governo FHC] Não tinha política de seguro [rural], não tinha política de assistência técnica [agrícola]”
Na realidade, em 1997, durante o governo FHC, foi criado o projeto Lumiar, com o objetivo de prover assistência técnica e capacitação de famílias assentadas pelo Incra (Instituto Nacional de Reforma Agrária), além da viabilização técnico-econômica desses assentamentos.
Segundo dados oficiais do Incra, até 1999, tal programa mantinha 1,4 mil técnicos no campo, atendendo a um total de 117 mil famílias em todas as regiões do país. Os investimentos eram de de R$ 2 milhões por mês. Em 2000, porém, ainda durante o governo FHC, o programa foi extinto, sob acusações de desvio dos recursos por meio das entidades terceirizadas que recebiam as verbas federais.
AÉCIO NEVES (PSDB): “Nós paramos de crescer, estamos na lanterna de crescimento na nossa região, variando às vezes, revezando com a Venezuela e a Argentina” O Brasil não está na lanterna do crescimento na região. De acordo com levantamento do FMI (Fundo Monetário Internacional), a taxa acumulada de crescimento do Brasil entre nos anos de 2008 a 2013, foi de 19,4%, o que o coloca na 8ª posição em um ranking composto pelas dez maiores economias da América Latina. Abaixo do Brasil estão Venezuela (11,3%) e México (10,7%).
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