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Rede Globo: como foi criada e sua interferência na política através dos tempos

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A Rede Globo foi criada em 1965 por Roberto Marinho e teve seu crescimento inicial fortemente ligado ao apoio e favorecimento do regime militar (Ditadura Militar no Brasil, 1964-1985). Ao longo dos tempos, sua interferência na política brasileira tem sido objeto de diversas controvérsias e análises, com acusações de favorecimento a determinados grupos políticos e manipulação de informações. 

Criação e Consolidação

  • Origens: A história do Grupo Globo começou com o jornal “O Globo”, fundado por Irineu Marinho em 1925. Roberto Marinho, seu filho, obteve a concessão do canal de televisão em 1957, mas a TV Globo só foi inaugurada em 26 de abril de 1965, um ano após o golpe militar.
  • Acordo Time-Life: Para viabilizar a operação e obter equipamentos modernos, Roberto Marinho firmou um acordo de capital e assistência técnica com o grupo de mídia norte-americano Time-Life. Esse acordo, que envolvia participação estrangeira em empresa de comunicação, era proibido pela Constituição da época e foi alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito).
  • Apoio da Ditadura: A emissora cresceu e se tornou a maior rede de TV do país com o apoio do regime militar. A Globo alinhou sua linha editorial aos interesses do governo, utilizando a infraestrutura de telecomunicações da Embratel, criada pelo próprio governo, para formar uma rede nacional, o que foi crucial para sua expansão. 

Interferência na Política Através dos Tempos

A Rede Globo tem sido frequentemente acusada de exercer influência política, o que gerou diversas controvérsias ao longo das décadas: 

  • Apoio ao Regime Militar (1964-1985): A emissora apoiou abertamente o golpe de 1964 e o regime subsequente. Em 2013, quase 50 anos depois, o jornal “O Globo” reconheceu em editorial que o apoio ao golpe foi um “erro”. Durante a ditadura, a Globo recebeu a maior parte das verbas publicitárias governamentais e, segundo críticos, minimizou denúncias de tortura e desaparecimentos, tratando opositores como “terroristas”.
  • Diretas Já (1984): A emissora foi criticada por não dar a devida cobertura às manifestações populares pelo retorno das eleições diretas para presidente, inicialmente veiculando os eventos como comemorações do aniversário de São Paulo.
  • Eleição Presidencial de 1989: A Globo foi acusada de manipular a edição do último debate entre os candidatos Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, favorecendo Collor, que venceu a eleição.
  • Relação com Governos Democraticamente Eleitos: A postura da Globo variou em relação aos governos pós-ditadura. Houve momentos de maior proximidade com certos presidentes e de maior oposição a outros, o que se refletiu na distribuição de verbas publicitárias oficiais.
  • Lava-Jato e Governos Recentes: Nos anos 2010 e 2020, a cobertura da Operação Lava-Jato pela Globo foi vista por muitos como tendenciosa. Mais recentemente, a emissora manteve uma postura crítica aos governos de Jair Bolsonaro e, em seguida, adotou uma abordagem diferente com o governo Lula, o que gerou novos debates sobre a distribuição de verbas publicitárias e a linha editorial da empresa.
  • Influência Legislativa: A empresa já utilizou sua influência política para pressionar por mudanças na legislação, como a alteração de um artigo da Constituição para permitir maior capital estrangeiro em empresas de mídia, o que ajudou a aliviar problemas financeiros do grupo no final dos anos 90. 

Em resumo, a história da Rede Globo é marcada por uma relação complexa e, muitas vezes, controversa com o poder político no Brasil, alternando entre apoio, oposição e influência nos rumos do país, o que a solidificou como um ator central no cenário político-midiático nacional. 


Wikipédia

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